| De: Martins@indiana.edu
Para: Marcos/Projeto Cinema Brasil na Internet,
Estou escrevendo um trabalho sobre a crônica "O Homem
Nu" do Fernando Sabino, para um congresso de Literatura Brasileira, no Porto,
em maio próximo. Acontece que O HOMEM NU não é propriamente
história inventada pelo Fernando Sabino - trata-se apenas de uma
versão, MUITO próxima do original, de dois trechos de um romance
escrito por dois humoristas russos (ILF e Petrov) intitulado AS DOZE CADEIRAS.
Os trechos usados por Fernando Sabino encontram-se nos capítulos XXIII
("Absalao Vladimirovitch Iznurenkov") e XXV("O Diálogo com o Engenheiro
Nu"). O romance de Ilf/Petrov foi publicado na União Soviética
em 1928 e há traduções inglesa (1960)e americana (1961).
Uma tradução brasileira do romance, feita por Rui Lemos de
Brito, foi publicada pela Editora Lux, do Rio de janeiro, em 1961. [NOTA
- Há versões paralelas da história, em outros autores
e outros filmes, até mesmo num recente comercial dinamarquês
sobre passagens aéreas, e em cenas de historinhas do Pato Donald e
do Garfield!]
Este romance já teve várias versões filmadas;
uma vez pela Atlântida (que talvez seja a primeira versão),
outra pelo cubano Gutierrez Alea, em 1962 ("Las doce sillas"), outra aqui
nos EUA, em 1970, pelo Mel Brooks (""The Twelve Chairs"", com Frank Langella
e Mel Brooks) e, segundo pistas ainda não confirmadas, pelo menos
uma vez na União Soviética.
Na versão americana, a única que tive oportunidade
de ver, o capítulo do homem nu foi excluído. [Seria difícil
por um homem nu, numa comédia para "classe média" americana!]
Não pude ainda saber nada com relação às
outras.
Um dos temas que pretendo tratar na minha comunicação
tem a ver com direito autoral. Se a história não é,
comprovadamente, de Fernando Sabino, e o romance de ILF/Petrov, primeira
versão conhecida da história, não estava protegido pelos
acordos internacionais, de quem é o direito de autor de tal obra?
Fernando Sabino pode reclamar para si a forma de sua versão e de seu
título (O HOMEM NU), - embora mesmo aí haja muita semelhança
com o "engenheiro nu" de ILF/Petrov - mas creio que o problema legal não
está resolvido. Aliás - se não legalmente, pela falta
de acordo de direito autoral com a antiga União Soviética,
pelo menos do ponto de vista moral - Fernando Sabino pode ser facilmente
acusado de plágio no caso desta história, ou, pelo menos, deveria
ser apresentado como ADAPTADOR e não como AUTOR da
história.
Você tem alguma idéia de como foi resolvido o
problema de direito autoral no caso deste filme e do anterior do mesmo
título? Suponho que Fernando Sabino tenha recebido direito autoral
completo.
Gostaria, imensamente, de saber porque a versão da
Atlântida,
AS
TREZE CADEIRAS, aumentou uma cadeira e se nela aparece a cena do homem
nu. Será que alguém viu este filme, ou sabe onde encontrá-lo?
Irei ao Brasil em julho e faria, de bom grado, uma viagem ao Rio ou a São
Paulo para assisti-lo, se alguém o localizar.
Um abraço,
martins@indiana.edu
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